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Senhora do Inverno

  • Foto do escritor: Aurelia
    Aurelia
  • 28 de jun. de 2019
  • 1 min de leitura

Sou a Senhora do Inverno, da que falam as tradições com respeito, a que cobre com o manto desta noite todo o que se recolhe embaixo da terra. A que sinaliza um tempo de espera até o renascimento da próxima primavera. Sou a que tem os seios murchos de tanto dar em outras épocas, mas a sábia que prepara as sementes lá bem no fundo da terra, em perfeita quietude em uma longa hibernação. Sou a que faz aos homes recolher-se no leito de inverno apertando os joelhos contra o peito procurando calor e aconchego ante a minha presença. Sou a que desfolha ás árvores de suas folhas, a que sopra as vezes lúgubre, outras alegre nos ouvidos das mulheres solas despedindo-se da vida. Quando chegou as donzelas soltam os velhos hábitos, os vícios e as verdades a meias e suas almas ficam nuas só por um tempo e o tempo –na sua sua forma aparente -se detém . Quando chego os inexperientes e os tolos ficam perdidos por não entender que este ciclo passa e voltará , passa e voltará , passa e voltará .... perdem o tempo na fala inútil e a bebedeira que aquece o falso coração sem acariciar os sonhos, sem semear nas suas almas. Quando chego Eu, Senhora do Inverno , a Natureza se recolhe e espera amadurecer crescendo em silencio.




 
 
 

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